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Elegia pra Mario Feres II - Andre Mehmari, 10 de Abril d 2011

Mário Feres foi uma alma grande, generosa, de musicalidade transbordante e com um humor de lascar... Ainda escuto claramente teu riso, tua voz, teu som, teu Tom rasgando o silêncio, tão vivos... Tudo bem gravado na alma. Foi um privilégio e uma alegria ter te conhecido, meu caro amigo. Te amaremos para sempre e um dia seremos todos uma mesma canção.
André Mehmari

Mario Feres no Forest - 1995 - O início da carreira em Ribeirão Preto.


por Jose Marcio Castro Alves
Em 1993 o Mario Feres veio e fez amizades no meio musical da noite para o dia. Tocou no Obvio Bar, de propriedade do Julio Saaid e ao final de 1994 e começo de 1995 formou um trio com o contrabaixista José Pereira e o baterista Ignácio Koser, onde fizeram uma temporada no Forest, um restaurante do então complexo Deck Delícia, atual Buffet Aguiar.
Ainda em maio de 1995 conhececia o maestro e compositor Paulo Jobim, o que lhe abriria as portas para grandes voos no Brasil e Europa, principalmente.
Este filme mostra o Mario Feres e a Vania ainda na primeira fase e récem chegados a Ribeirão Preto, sem o conforto do grande sonho de suas vidas que foi a belíssima casa própria onde viveram por oito anos até 1 de Abril de 2011, mas no tempo em que viviam se mudando de um apartamento para outro, todos pequenos. Só no Irajá foram três que eu frequentei. Tem também um daqueles da Vila Virginia no DelBoux, uma casinha na Campos Sales há um quarteirão da Feira da Portugal, duas mansões na Hípica onde moraram por mais de quatro anos, depois num apartamentozinho de dois quartos na rua Chile que mal cabiam as escovas de dentes e depois numa casinha michuruca e també provisória pertinho da Av. Portugal. Foi nessa casa que ele gravou o disco do João Viviane com o parceiro de muitas músicas, João Ferraz.
Este filme mostra o Mario nessa época, onde a dupla foi convidada para participar do programa Canta Ribeirão,do Bueno cantor, onde o Mario conta como a música os uniu, tanto musicalmente como maritalmente.

Andre Mehmari: "Mario foi um dos pouquíssimos pianistas que tocaram no meu piano"

O pianista mais precoce que já passou por Ribeirão chama-se André Mehmari. Ele me escreveu três e-mails. Todos com um só tema: saudades do Mário. Dêem o play para ouvir as duas versões da música que o André fez pra ele e sintam a afinidade que unia Mário Feres e André Mehmari – irmãos de instrumentos e de profissão. Grandes amigos.
"Liguei os microfones e fiz essa pequena homenagem ao meu amigo,
Elegia pra Mário Feres. É uma linda tarde aqui na Cantareira, deu saudades. André"

Que saudades... Mal posso aceitar a partida dele. Estava tão confiante que ele sairia dessa. Um pouco de ingenuidade minha: a doença era grave demais... nunca quis acreditar que perderíamos o Mário. Na última vez que nos falamos, por telefone, logo após sua longa cirurgia de 13 horas, eu pedi a ele que tivesse paciência na recuperação, que ele teria um nova chance e superaria o momento difícil. Eu sei que ele sustentou suas forças até o último momento. Se eu pudesse, fazia o amigo acordar e voltar pra gente, mas somos tão pequenos... poeira no ar. Um grãozinho de nada é o que somos. Mas que coisa divertida e boa pode ser esse encontro de grãozinhos, nesse adorável planetinha? Assim foi o nosso: como amei esse amigo! Me identifico demais com ele, com o jeito dele ser músico - na prática, co'a mão na massa, todo faceiro, o talento ali na cara, alegria de viver, sem filtros. Um trem elegantemente desgovernado rumo ao céu, cheio de paixão, amor à vida. Vê quanta vida ele ainda tinha nos seus olhos! Não era a hora Marião! Onde está você? O que foi, o que não foi? Não viu a partitura na estante, com tantos compassos ainda pela frente?! Se tua linda arte teve o papel sagrado de tirar o peso excessivo, o amargor da vida, agora você habita esse espaço etéreo de onde nascem as melodias, as harmonias... você simplesmente tornou a ser novamente música pura... Qualquer hora, vê se me sopra alguma daí, que eu escrevo aqui, tô te escutando meu amigo... Dizem que nós refazemos e reconstruímos nossa memória, de acordo com a conveniência. Mas não consigo lembrar de nenhum encontro nosso, nos 17 anos de nossa amizade, que não tenha sido muito feliz. Mário, foste uma peça rara, uma alma grande, generosa, de musicalidade transbordante e com um humor de lascar... Ainda escuto claramente teu riso, tua voz, teu som, teu Tom rasgando o silêncio, tão vivos... Tudo bem gravado na alma. Foi um privilégio e uma alegria ter te conhecido, meu caro amigo. Te amaremos para sempre e um dia seremos todos uma mesma canção. André Mehmari

Mario Feres e Vania Lucas - Se todos fossem iguais a você.

Mario Feres e Vania Lucas - Corcovado - Tom Jobim



por José Márcio Castro Alves

O Tom da paixão foi um espetáculo musical apresentado por Mario Feres (piano e voz) e Vânia Lucas (voz e Viola da Gamba), abordando as canções do compositor Antonio Carlos Jobim que falam de amor e paixão.
Mario Feres e Vânia Lucas sempre foram especialistas em Tom Jobim, uma vez que fizeram inúmeros shows com Paulo Jobim, filho do compositor, também um expert na obra do pai.
O Tom da Paixão foi um resgate lindíssimo das mais belas canções de amor do mestre Tom Jobim, com um repertório que destacou também seus mais importantes parceiros: Newton Mendonça, Aloysio de Oliveira, Vinicius de Moraes e Chico Buarque.
Tive a honra de registrar esse grande espetáculo musical idealizado por Mario Feres e Vânia Lucas, apresentado em várias cidades.
Esta gravação foi no Teatro do SESI Franca, em 3 de dezembro de 2010.

Mario Feres e Vania Lucas - Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça.



por José Márcio Castro Alves
Mario Feres nunca desafinou, pois em vida foi a ética em pessoa. Na música, o único Tom Jobim possível após a morte do nosso maior compositor popular. Os mesmos trejeitos, a mesma amabilidade ao conversar com um qualquer, a reverência na hora certa e o respeito na medida exata. Jamais vi o Mario dizer que era um bom músico ou gabar-se de todo o seu talento. Doce, generoso, alegre sempre, leal, confidente, ombro amigo, culto e inteligente, não há quem não o amasse ou deixasse de vibrar diante daquela encantadora figura.
Mestre da bondade, companheiro, foi sábio e humilde. Lutou até o último suspiro sem perder a esperança. Por fim, encantou-se e foi pro colo de Deus. Deixou-nos desafinados.

Zé prequeté tira bicho do pé pra tomar com café!


por José Márcio Castro Alves
Em 1996 fiz a trilha sonora de um especial para a EPTV chamado Caminho da Roça, no singular. O Mário Feres gravou comigo algumas canções, tocando e cantando, como essa, o Zé Prequeté, em que cantamos juntos e o maestro Roberto Minczuk assovia a melodia junto comigo. Foi muito prazeroso ter esse dois monumentos numa música de minha autoria.
O vídeo caseiro e doméstico é coberto com imagens do filme Meus oito Anos com fotografia de José A. Mauro e direção de Humberto Mauro.



Zé prequeté tira bicho de pé pra tomar com café! Olha o arco da velha! Me paga um Felipe! A vaca amarela pulou a janela! Não pula a pinguela! No arco da velha tem um tesouro. Corcunda é zarolho. Cadê o vagalume?
José Márcio Castro Alves

Mario Feres, paixão pela família, Marília e Ribeirão.

por José Marcio Castro Alves

Em 2001 Ribeirão Preto faria 150 anos. Rosana Zaidan fez uma matéria especial para a EPTV e pediu uma trilha pro Mario. Dei a idéia pra ele fazer alguma coisa baseada na música do Hino de Ribeirão Preto, da Prof. Diva Tarlá de Carvalho com letra de Saulo Ramos. O Mario levou o teclado pro meu apartamento e em duas horas estava tudo pronto.
Em 2008 passei o Natal com a família do Mario e filmei a reunião. Este vídeo é um pedacinho daqueles momentos de intimidade com a família Feres e convidados, usando como pano de fundo uma das faixas que o Mario fez baseado no Hino de Ribeirão Preto, cidade que ele tanto amou.



Feis Feres - A música é uma graça Divina



por José Márcio Castro Alves


Foi quando o Mario fez 41 anos, em 30 de Abril de 2008, que fiz esse filme. Na reunião estavam o pai do Mario - Feis Feres e toda a família que veio de Marília Pra Ribeirão Preto, como sempre fizeram. Filmei o Féis Feres cantando algumas músicas e depois fiz umas perguntas clássicas. Na semana seguinte fui no então apartamento do Omar Feres, irmão do Mario, e aí fechei um filme que dei de presente à família. Este video é uma sinopse desse filme caseiro e doméstico, que mostra de onde vem a veia musical do Mario Feres.



Mario Feres 40 anos - Dentro dele morava um anjo e uma criança.


por José Márcio Castro Alves
Em 30 de Abril de 2007 comemoramos os 40 anos do Mario. Nessa época ele estava com mil projetos musicais. Haviam lançado ao final de 2006 o disco Minha Vontade, da Vania Lucas, e o Mario se mostrava cada vez mais ágil, lépido, menino, cheiro de mato no ar, cabelo comprido. Estava musical como nunca, ávido por fazer, compor, escrever, cantar e viver.
Um dia depois da festa eu dei uma passadinha por lá.
--- Wernerrr...

Mario Feres, paixão por São Paulo.

por José Márcio Castro Alves

Em 13 de junho de 2008, na Feira do Livro de Ribeirão Preto, Mario Feres e Vânia Lucas se apresentaram na esplanada do Teatro Pedro II para homenagear São Paulo, com um repertório só de músicas que falam da cidade. Na abertura, o quinteto formado por Mario, Vânia, o trompetista Bidinho, o baixista José Luiz Zambianchi e o baterista Paulo Vieira, interpretam canções que falam de São Paulo. Esta faixa é a canção Paulista, de Eduardo Gudin.

André Bordini - Soneto Elegia para Mario Feres


Bem sei, amigo, que de nada vale a vaga voz, de nada vale o verso. Neste universo novo em que, imerso voas, livre da vida que combale. Não cale, entanto, em nós, teu lindo canto. Teu franco riso, a voz, teu violão Sejam pra ti, nos céus, vasto clarão de sons, de sinfonias e de encanto.
E o pranto sonoro desta hora seja humilde acorde em tua aurora nova, toda de música e infinito...
Enquanto, aflito, nosso peito chora, no anseio de ouvir-te, sem demora, num eterno concerto, assaz bonito.

André Bordini
Ribeirão Preto, 02 de abril de 2011)

Mario Feres e João Ferraz, Parceiros em memória de João Viviane.

por José Márcio Castro Alves
Parceiro - música de Mario Feres e letra de João Ferraz.

Em 7 de fevereiro de 2011, dois dias antes do Mario passar pela segunda cirurgia, estive na casa dele e gravamos algumas músicas. Parceiro é a última faixa do CD Todo Céu e Mar, uma produção do Mario e de João Ferraz, com músicas do pianista e compositor João Viviane que o parceiro João Ferraz colocou letra.
O disco também conta com algumas canções do Mario Feres em parceria com João Ferraz, lançado em 2007. Parceiro é uma delas.

Mario e o seu piano - passatempos memoráveis (Wave - Tom Jobim)

5 de outubro de 2008, no aniversário da Vania Lucas. Após a festa, na madrugada, Mario e eu ficamos a gravar algumas canções com ele ao piano. Wave, de Tom Jobim, era uma das preferidas do Mario, eterno estudioso da obra jobiniana.

Cristina escreveu: Mario Feres, mais que um amigo.

por *Maria Cristina Pessoa Gonçalves

Conheci o Mário e a Vânia na época em que eles vieram para Ribeirão Preto e matricularam a Luiza na escola Waldorf, na mesma sala da minha filha Laura, onde eu já trabalhava. Desde então o nosso carinho, amor e amizade só cresceram.
O Mané se apaixonou de cara pela família do Mario, quando num dos aniversários do Thomaz, ainda pequeno, recebeu do Thomaz uma declaração de amor.
Tempos depois, Mario e família mudaram-se para o condomínio Hípica, o mesmo que moramos, numa casa em que o Mané fez uma pequena reforma para acolhê-los. Alguns anos mais tarde ele fez o projeto da nova casa, a qual foi palco de maravilhosos encontros.
Vânia e eu trabalhamos juntas na escola Waldorf, e anos mais tarde tive a honra de trabalhar com o Mário junto da minha turma de décimo segundo ano, que se preparava para uma apresentação de teatro. Na época o Mario regia o coral de alunos e era muito querido por eles.
Dessa união surgiram as primeiras viagens, divertidas férias e réveillon, Ubatuba - e depois para o paraíso da Guarda do Embaú em Santa Catarina.

Indicado por uma amiga do Mario e Vania fomos conferir. Nos apaixonamos e permanecemos por doze anos freqüentando este lugar, como uma grande família.
Os meus filhos, Laura, Ana e Samuel, consideram o Mario e a Vânia como se eles fossem da nossa própria família, pois o casal sempre esteve presente nas nossas vidas desde o crescimento, na escola, enfim, no dia a dia e nas festas, nas reuniões mais íntimas.
Para a Ana, o mestre Mário (como ela diz) carinhosamente, a incentivou e a encorajou a desenvolver e “soltar” sua sensibilidade musical.
No inicio era um pequeno grupo de amigos, Mário e Vânia, Adriano e Joyce, Mané e Cristina e flhos. No decorrer dos anos vários outros amigos se juntaram a nós como o Edu e a Nini, que depois de nos acompanhar a primeira vez, fizeram parte importante dos próximos divertidos dez anos seguintes.
Fizemos uma forte amizade com algumas famílias locais, que nos aguarda a cada ano (Dalva, Evori, D. Marli, Moacir). Na chegada é só felicidade de um novo encontro e na partida a tristeza de uma separação.
A Guarda do Embaú, um lugar cheio de magia e beleza, mas que só se tornou tão grandioso por causa dos irmãos de coração, em especial a música do Mário e da Vânia que encantou e fez deste lugar o retorno de muitas pessoas de diferentes lugares, a cada ano.


Nosso casamento em conjunto foi providencial e não poderia ter sido em melhor ocasião, mais feliz, pois o Mário e a Vânia precisavam de duas testemunhas, como eu e o Mane também. Assim, se casássemos juntos, seríamos testemunhas um do outro, já que a nossa situação de vivermos maritalmente mas sem estarmos casados no papel era a mesma.
O mais importante é que daríamos um apoio moral e divertido um para o outro.
Na ocasião, o Mario e a Vânia queriam um evento particular, só com alguns poucos amigos íntimos para comemorar em sua casa.


Mario Feres, nosso amigo e irmão, foi um exemplo de carinho, alegria, bondade, disposição, mestre do coração. Muitas palavras não falariam a grandeza do Mário que nos deixa cheio de saudade, mas com a felicidade de termos conhecido e acompanhado este ser “humano” mais do que especial em nossas vidas.
*Maria Cristina Pessoa Gonçalves é educadora da escola Waldorf